Os nossos olhos costumavam conversar. Ele me dizia coisas que não podia me dizer, por vários motivos. Mas dizia e sem pronunciar palavra alguma.
Mesmo sem poder, a gente continuou conversando com olhares, sem que ninguém percebesse. Era tudo tão diferente. Ele era só um menino e eu uma quase mulher. Eu me divertia com ele, mas, ele sonhava comigo.
Certa vez, ele passou e me viu com outro alguém. Ele até tentou que eu sei, mas não resistiu. Ele me olhou. Dessa vez, seus olhos não sorriam pra mim, como de costume. Era um olhar triste. Era como se eu tivesse abandonando ele e ele estivesse se conformando com isso. Aquilo me intrigou, me fez mal. Só então eu percebi que estava brincando com ele sem saber. Na verdade, tudo não deveria passar de uma brincadeira, mas passou. Eu não conseguia tirar aquele olhar de mim, ele gritava sem parar: culpada, culpada! Culpa essa que até então, eu nem sabia que tinha. Então, resolvi riscar esse outro alguém, para ver se talvez assim, aqueles olhos sorririam de novo pra mim. Deu certo! Ele me olhou e estava feliz.
Uma madrugada dessas, ‘ele passou por aqui’. Nossa! Como ele se sentia realizado.
Mas, ele se acostumou. Ele queria passar por aqui sempre..
Eu dizia que ele era doido. Ele sorria e concordava dizendo:
sou sim, por voce.! Só pra me ver sem jeito.
Era complicado e diferente ao mesmo tempo.
Era arriscado e divertido. ‘Ele passava sempre por aqui’.
Outro dia, ele se mudou pra longe.
Na ‘despedida’ tinha muita gente por perto, ele não podia me olhar muito.
Eu olhei, ele olhou. Mas eram só olhares ligeiramente perdidos. E eu decidi vir pra casa. Era estranha aquela situação. E foi o que eu fiz. Caminhei lentamente para que desse tempo dele me olhar. Eu precisava ouvir seus olhos e saber se sentiam o mesmo que eu ao vê-los partir. Entao, olhei e caminhei. Olhei de novo ainda caminhando e nada. Quando já estava no portão, quase entrando em casa, eu olhei de novo. Agora sim! Ele me olhou. De canto, disfarçadamente e cabisbaixo. Mas, olhou.
Sim, ele sentia o mesmo. Mas eu não gostei de saber.
Novamente os seus olhos conversavam comigo. Só que dessa vez eles diziam:
Não me esqueci. Eu não quero, mas preciso ir. Tchau!
Não, infelizmente não foi o tchau que ele me dava toda noite antes de ir pra casa dormir.
Não foi um até logo, dessa vez era mesmo um adeus.
Renata Soares.
Tô ligada viiu.ASHUSAHASH
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