sexta-feira, 6 de abril de 2012

Troca-se 'Maria' por Renata e ... enfim !

Maria é uma boa moça. Tem sonhos altos e quer mudar o mundo, persegue o degrau acima, e trabalha com prazer naquilo que acredita. Ama a Deus, e a família, gosta de arte, futebol e política. Escuta músicas que trilham seus sentimentos e lê livros em que pode se reconhecer em algum personagem. Maria olha a lua de sua janela, relembra sua infância de cinema, e come chocolate no fim de dias difíceis.
Maria é jovem, mas também é velha. Às vezes penso que já nasceu madura, e se não fosse sua pouca altura teria que mostrar mais vezes a identidade para acreditarem que ela também ainda é uma garotinha. Maria sentava no fundão da sala de aula, e tinha os boletins recheados de notas com dois dígitos. Era popular e nerd numa mistura de personalidades que classificavam em extinção.

 Maria é um livro aberto, com capa dura, risada gostosa e cheiro de comida caseira, mas ela também é baú antigo debaixo da cama com cadeado pesado e frio. Brinca de saltitar entre esses dois mundos que apaixonam e confundem os que ela traz pra perto. É uma boa amiga pra muitos, e tem poucos bons amigos pra si. Não porque esteja cercada de pessoas ruins, porque ela parece escolher a dedo o melhor do que vê... Mas é que é preciso uma habilidade rara para conseguir decifrar os jogos de Maria.
Maria que diz não quando quer dizer sim e sorri pra levantar a maçã do rosto e impedir que um pingo role.

Maria também ama palavras. As fala bonito em meio ao seu raciocínio rápido. Uma dose de criatividade e três de teimosia: Justifica, argumenta, questiona, convence. Mas é no cair da noite que seu silêncio chega. E ela escreve. Quase sempre sobre Amor. Deve ser porque é essa a pauta que sempre a emudece. Então ela deixa o grafite sobre o velho caderno da escrivaninha encarregado de falar o que não consegue dizer.
É que Maria tem esse jeito intenso, e aprendeu que tem que ser tudo, tanto, sempre. Amor e gente assim só combinam no mundo de Platão. Maria descobriu que não sabe saltitar nas órbitas do coração e isso desencantou a brincadeira. Agora, Maria corre por estes labirintos da vida fugindo de borboletas no estômago, de beijos doces com pés no ar, de abraços que dissolvem o cotidiano, da ligação esperada durante o dia, da mensagem inesperada na madrugada, dos planos, das memórias, das sombras. Maria foge enquanto eu insisto em convencê-la de que o melhor medo da montanha russa é o que se sente dentro dela, de braços erguidos, olhos abertos, coração na boca e garganta afinada. Relembrá-lo é melhor do que amargurar a desistência na fila, com medo de ao menos experimentar novos loopings sem cair. Fico perto de convencer Maria, que metida a corajosa se sente afrontada com minha persuasão. Vai Maria, caminha, nem sempre se pode saltitar, mas é caminhando que se chega a algum lugar. Maria sorri, mas eu conheço seus jogos e ela foge, enquanto a observo pensativa do outro lado do espelho.

Creeedito , mil creditos *-*

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